
Fumaça das queimadas encobre Manaus e acende alerta sobre saúde e mudanças climáticas
Manaus amanheceu coberta por fumaça no dia 8 de setembro de 2026. Imagens aéreas revelam a dimensão do fenômeno e reforçam o alerta sobre os impactos das queimadas na saúde, na qualidade de vida e no futuro da Amazônia.
9/10/20263 min read


Manaus sob fumaça: não podemos normalizar as consequências das queimadas
Na manhã de 8 de setembro de 2026, Manaus amanheceu novamente sob uma camada de fumaça. A paisagem da maior cidade da Amazônia, normalmente marcada pelo encontro entre a floresta, os rios e a área urbana, ganhou tons acinzentados e um horizonte de baixa visibilidade.
Imagens aéreas registradas por drone pela Amazynair, em parceria com o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Amazônico (IPDA), mostram a dimensão do fenômeno sobre a capital amazonense. Do alto, a fumaça deixa de ser apenas uma sensação percebida nas ruas e passa a revelar visualmente um problema que alcança toda a cidade.
Para quem vive em Manaus, os impactos são sentidos diretamente no cotidiano. O cheiro de queimado invade casas e locais de trabalho, atividades ao ar livre tornam-se desconfortáveis e a exposição prolongada à poluição atmosférica representa preocupação especial para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
A fumaça proveniente das queimadas contém material particulado fino, especialmente o MP2,5, capaz de penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição pode provocar irritação nos olhos e garganta, tosse, dor de cabeça e falta de ar, além de agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.
Queimadas e mudanças climáticas: um problema que se repete
O episódio também precisa ser observado dentro de um contexto mais amplo. Nos últimos anos, a Amazônia enfrentou períodos extremamente críticos de seca e incêndios florestais. 2024 foi particularmente severo, enquanto os anos seguintes apresentaram variações importantes nos registros de focos de calor. Isso demonstra que uma redução em determinado período não significa que o problema esteja superado.
A combinação entre estiagens prolongadas, temperaturas elevadas, degradação ambiental e uso inadequado do fogoaumenta a vulnerabilidade dos ecossistemas amazônicos e amplia a possibilidade de grandes volumes de fumaça serem transportados por centenas de quilômetros.
E os impactos não ficam restritos à floresta. Eles chegam às cidades, aos territórios indígenas, às comunidades ribeirinhas e rurais, afetando saúde, produção de alimentos, transporte, economia, biodiversidade e qualidade de vida.
A floresta pode estar distante. A fumaça, não.
Durante muito tempo, problemas como queimadas e desmatamento foram tratados por parte da sociedade como acontecimentos distantes dos grandes centros urbanos. Mas quando a fumaça atravessa a cidade e passa a fazer parte do ar respirado por milhões de pessoas, essa distância desaparece.
A crise ambiental deixa de estar apenas na floresta e entra pelas nossas janelas.
Não podemos naturalizar a ideia de que, durante determinados meses do ano, seja normal acordar com o céu encoberto, sentir cheiro de queimado ou precisar evitar atividades ao ar livre por causa da qualidade do ar.
Manaus está no coração da maior floresta tropical do planeta. Ainda assim, seus moradores estão cada vez mais expostos aos efeitos de eventos climáticos extremos e da degradação ambiental que ocorre em diferentes partes da Amazônia.
Por isso, prevenir incêndios, combater queimadas ilegais, fortalecer o monitoramento ambiental, apoiar comunidades locais e tradicionais e ampliar políticas de adaptação às mudanças climáticas não são apenas medidas de conservação.
São medidas de proteção à vida.
A imagem de uma Manaus encoberta pela fumaça precisa nos fazer perguntar: que futuro estamos construindo quando respirar ar limpo começa a deixar de ser algo garantido até mesmo no coração da Amazônia?
Registro fotográfico: Amazynair, em parceria com o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Amazônico – IPDA.
Imagens aéreas realizadas em Manaus/AM, em 8 de setembro de 2026.
IPDA – Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Amazônico
Pesquisa, desenvolvimento sustentável e compromisso com o futuro da Amazônia.



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